A gênese do relacionamento entre Deus e o homem

 


A GÊNESE DO RELACIONAMENTO ENTRE DEUS E O HOMEM

Ederson Malheiros Menezes*


Posso dizer que esta é uma tentativa de dar um primeiro passo na construção de espiritualidade com uma base saudável.

Acredito que muitas pessoas assim como eu carregam um anseio muito profundo e inquietante de ter mais vida com Deus.

E a melhor maneira que achei de começar foi, começar pelo princípio - a gênese.

Certamente há algum propósito na narrativa bíblica que chegou até nós, algo que diz respeito a necessidade de entender sobre Deus e sobre a humanidade - a relação que existente no relato da origem de tudo.

Comecei a ler a Bíblia com foco no relacionamento entre Deus e o homem (ser humano, humanidade).

A primeira base da espiritualidade já se encontra no primeiro versículo da Bíblia.

Trata-se do reconhecimento de que Deus é o Criador dos céus e da terra.

Se alguém não crê que Deus é o Criador, já pode parar por aqui mesmo no primeiro versículo da Bíblia. 

E, se alguém crê que Deus é o Criador, então tem motivos suficientes para continuar sua jornada.

Por diversas vezes li esta narrativa com o pano de fundo artístico, vendo Deus como um artista que molda e pinta suas obras de arte.

Mas, o fato é que é mais do que um relato. 

Trata-se de um convite para crer que Deus é a fonte e o princípio de tudo - ELE é a origem de tudo o que somos e do que conhecemos e não conhecemos.

Não é um debate científico, é um convite de fé.

Não se trata de uma fé cega, mas também não é uma fé que precisa de embasamento da ciência para existir.

A narrativa tem por objetivo revelar um pouco ao ser humano sobre Deus como o Criador de tudo, inclusive do próprio humano.

A antropormofização de Deus (dar forma humana para o divido) pelo homem cria um duplo problema para a espiritualidade: de um lado diminui Deus; e do outro, oportuniza ao ser humano uma postura orgulhosa e prepotente diante de Deus já que Deus é colocado como "igual" - Deus-Homem.

Por isso, é importante ler no capítulo 2 de Gênesis, versículo 7 sobre a formação do homem.

Deus é o Criador de tudo, mas e nós quem somos?

Segundo Gênesis 2.7 antes de nos tornarmos alma vivente éramos pó da terra.

Deus se mantém como Criador e dá detalhes de sua criação. Deus é o criador do pó e do fôlego da vida. Não há nada que sejamos que não tenha origem em Deus - os elementos que nos constituem foram criados por Deus.

Não há dúvida sobre quem é o Criador e quem é a criatura. Sobre quem não é mais do que pó e quem tem o poder de criar e dar vida.

Esta é a relação inicial entre Deus e o homem (humanidade), a relação de Criador e criação.

Há o estímulo para que o ser humano seja humilde em vez de orgulhoso, grato em vez de arrogante.

Pensar como ser humano na sua origem no pó é um modo de perceber que somente Deus poderia transformar algo que humanamente julgamos sem valor em algo significativo pela união com o fôlego da vida.

A iniciativa e atitude divina de criar o ser humano é um ato que evoca gratidão. É como se o pó que não era nada, agora pudesse agradecer ao criador por sua nova condição de existência.

Deste modo, a espiritualidade em expectativa nos dois primeiros capítulo de Gênesis evoca pelo menos três condições ao ser humano:

a) Humildade, porque somos pó da terra;

b) Gratidão, porque Deus agiu em nosso favor;

c) Louvor, porque a vida é uma dádiva de Deus.

A narrativa bíblica está deixando Deus em seu lugar como Criador, digno de temor, gratidão e louvor.

E, do mesmo modo, deixa o ser humano em seu lugar como criação de Deus, em posição de humildade, gratidão e louvor.

Estes princípios irão se estender por toda a história bíblica até o desfecho final, onde Deus permanece como Deus e o ser humano redimido como obra de suas mãos, vivendo em humildade, temor, gratidão e louvor.

Nossa origem evoca de nós humildade, por isso não pense sobre você mais do que você é - pó da terra.

Nossa origem evoca de nós reconhecimento de Deus como Criador e doador da vida que possuímos, então seja grato e valorize o presente da vida que recebeu.

Quem quer viver com Deus deve ser humilde, grato e louvar o Criador.

Exercite sua humildade diante de Deus, não ouse levantar o nariz, você é pó.

Esta humilhação não é depreciativa, ela apenas nos ajuda a nos colocarmos em nosso lugar, a não pensar mais do que precisamos acerca de nós mesmos.

E, mais uma vez, o texto bíblico não foi escrito com você no centro dele, foi escrito com Deus no centro, com o Criador dando origem a você.


*Ederson Malheiros Menezes (teólogo, licenciado em sociologia e administrador, publica textos com ênfase em espiritualidade no Blog Meditação Teológica - educacaosociologica@gmail.com).

 

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